Imagine que você e o seu psicólogo são dois alpinistas. Cada um a subir uma montanha diferente, no entanto, muito próximas…

O psicólogo pode ver um caminho na sua montanha que pode ajudá-lo a subir melhor e mais facilmente. E pode fazê-lo, não porque ele é mais esperto ou por já ter escalado a sua montanha antes, mas porque ele se encontra numa posição onde pode ver coisas que, de momento, você não consegue ver.

Contudo, mesmo que o psicólogo lhe indique o caminho, é você quem tem de subir a sua montanha.

Muitas vezes, quando estamos em baixo, ouvimos sugestões: “Tens de pedir ajuda” ou  “Procura um psicólogo” e não nos faz sentido. Achamos que conseguimos lidar com os nossos problemas, com os nossos sentimentos sozinhos e o que acontece, é que só pedimos ajuda, ou procuramos um profissional, quando estamos demasiado quebrados e sem luz para poder encontrar esperança, aquela esperança que nos faz renascer das cinzas e nos faz brilhar novamente.

É preciso acabar com mitos.

“Só vai ao psicólogo quem está louco”

“Não vou gastar dinheiro num psicólogo para conversar quando posso conversar com os meus amigos”

Claro que não são só os loucos que vão ao psicólogo. A loucura é a privação do uso da razão ou do bom senso. Até finais do século XIX, a loucura estava relacionada com o incumprimento das normas sociais estabelecidas.

Todo e qualquer ser humano, pode e deve, em alguma altura da sua vida recorrer aos serviços desse tão (des)temido profissional.

O psicólogo pode ajudar tanto em questões básicas como assuntos mais graves e delicados, como diagnósticos de doenças do foro psicológico e/ou emocional.

Quanto aos amigos, é importante que eles existam e que devemos desabafar com eles, contudo é muito importante percebermos que uma conversa com um amigo não passa disso mesmo, uma conversa.

A consulta de psicologia não se restringe, apenas, a uma conversa. O profissional está ali para ajudar/guiar a pessoa a escalar a sua montanha e a encontrar a resolução dos seus problemas. A sua ética profissional não lhe permite fazer julgamentos e respeita o princípio da confidencialidade. Com a sua base teórica, ele está preparado para, a cada passo, perceber qual a melhor estratégia para ajudar a solucionar o problema. E assim juntos, traçarão o melhor caminho para alcançarem os objetivos propostos.

O precisar de ajuda é inato. Basta olharmos para um recém-nascido onde o choro é o seu meio de comunicação para pedir ajuda para que as suas necessidades básicas sejam colmatadas.

É notório que á medida que crescemos, por influência interna ou externa, essa capacidade é esquecida, fazendo parecer que nunca fez parte de nós.

Muitas vezes deixamos que a vida se intrometa e desaprendemos a pedir ajuda. Tornamo-nos adolescentes que querem ser adultos, que se sentem incompreendidos e paramos de pedir ajuda, quer seja porque não nos compreendem, quer seja pelo simples facto de querer provar aos outros, e até a nós próprios, que somos capazes de fazer as coisas sozinhos.

É importante (re)aprender.

Existe uma necessidade enorme de reaprender. Não somos uma ilha e pedir ajuda mostra uma força e uma esperança gigante em nós.

Se está a passar por alguma situação em que sinta ou precisa de ajuda, ou se conhece alguém nessas condições, procure e/ou recomende um psicólogo.

OBS.: Todo o conteúdo desta e de outras publicações feitas pela Psicóloga & Coach Sara Varino tem uma função meramente informativa e não terapêutica.

Sara Varino