E se, por um azar da vida, um acidente nos tornasse cegos? Naturalmente o mundo deixaria de ser como o vemos. O nosso dia a dia apenas se veria escuridão…

Desafio-te a refletires um pouco sobre isto e dar asas à imaginação… como seria? Não é brincadeira de mau gosto. É apenas um exemplo que, por vezes, uso para dar valor não só à minha visão mas para apreciar, e de forma consciente, tudo o resto que a vida me dá. Gostaria de partilhar estes pensamentos. Vamos lá…

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Então, se fossemos cegos tudo seria escuro. A nossa visão afetada daria lugar ao aperfeiçoamento de outros sentidos. A audição, o tato, o cheiro, o gosto. “Veríamos” o mundo com outros “olhos”. Concordas?

Contar passos para chegar ao quarto, andar sempre às apalpadelas, apreciar a comida pelo cheiro e depois pelo gosto, ouvir os carros a passar para não corrermos o risco de sermos atropelados, seriam rotinas diárias. Um sem numero de situações que com visão são facílimas, nem pensamos, são automáticas, temo-las garantidas na nossa vida.

Nunca perdi a visão e não sei o que é ser cego mas gostaria de aprofundar um pouco mais e questiono como seriamos se tivéssemos que escolher o nosso parceiro ou parceira à luz dos nossos outros sentidos?

A beleza do rosto e do corpo seria julgada pela ponta dos nossos dedos. O cheiro da pessoa seria bem mais importante do que o perfume e os beijos teriam que ser memoráveis. As conversas teriam que ser ricas e a companhia, a presença, teria de ser inigualável.

E os objetos? As coisas? A casa? Sem visão como escolheríamos as coisas? Os amigos? E o nosso corpo que exercitamos no ginásio? É para ser bonito e belo aos olhos dos outros ou é para a minha saúde e bem-estar comigo próprio?

Que critério são estes que usamos para escolher aquilo que fazemos e queremos?

Usamos muito e por vezes bastante, até demais, a nossa visão para escolhermos e decidirmos coisas importantes da nossa vida. Infelizmente, muitas coisas materiais, pela beleza, porque é o que vemos (também eu já o fiz).

“Para bem julgar não basta sempre ver, é necessário olhar; nem basta ouvir, é conveniente escutar” – Marquês de Maricá

Gostaria de ter um carro bonito, um casaco bonito, uma mala, um anel, um relógio, porque é bonito, de se ver… E se fosse cego? Que caraterísticas ou critérios de seleção seriam os nossos? Nem sequer conduziria certamente, mas escolheria um casaco porque me aquecia, uma mala que fosse prática para colocar os meus pertences, um anel pelo valor sentimental e um relógio se calhar não precisaria (pois, se não via).

Tantas coisas escolhemos pelas razões erradas e por vezes nem precisamos.

Apenas temos, porque é bonito.

Fecha os olhos e “olha” em volta… o que vês? Boas reflexões!

 

Até breve

Luis Barbudo