Há alguém mais bonito do que eu? Há alguém mais rico do que eu? Há alguém com mais gostos do que eu? Há alguém com mais amigos do que eu? Há alguém com mais seguidores do que eu?

Perdemo-nos na realidade virtual, isso já não é novidade. Não é na realidade virtual que me quero debruçar, é na Nossa realidade. Na realidade que vejo, sinto e ouço que é diferente da tua e da do outro.

Vivemos num mundo à nossa imagem e o que é a minha realidade pode não ser (certamente que não é) a tua. Estamos tão focados em nós, na nossa bolha, nas nossas coisas, no nosso espaço, que esquecemos tudo o resto. Á medida que avançamos tecnologicamente distanciamo-nos dos nossos mais próximos. Compreendemo-nos menos, porque falamos menos e com o tempo estamos a tornarmo-nos menos empáticos.

As nossas conexões são feitas virtualmente e pouco esforço fazemos para criar conversas interessantes no consultório ou no banco à espera de sermos atendidos. Damos mais importância a conexões feitas por fotografia ao invés das que são feitas presencialmente. Aos poucos vamos perdendo intuição e evoluindo em reação. Voltamos lentamente a ter comportamentos animais e a desperdiçar este sexto sentido.

Temos que entender que é na bolha fora de nós que vamos encontrar felicidade. Não quero com isto dizer que a felicidade está fora de nós, nos outros ou nas coisas, mas seremos mais felizes se nos colocarmos ao serviço do outro e muitas vezes teremos que sair da nossa bolha, da nossa zona de conforto e criarmos laços, relações e conexões com os outros.

“Empatia é quando conversamos com alguém a primeira vez e parece que conhecemos a pessoa a vida inteira” – Fabrício Carpinejar

Quando nos entendemos bem com os outros tudo melhora. Entendermo-nos com o outro é a base das relações e de sucesso no mundo dos negócios e pessoal.

Temos que ser empáticos! Empatia é uma ação premeditada de nos colocarmos no lugar do outro e entender a perspetiva, as emoções, a realidade do outro.

A ciência diz-nos que, no nosso cérebro, temos a capacidade de espelhar através de neurónios “espelho” que nos faz fazer mímica de outros comportamentos, por exemplo, rir quando o outro ri, bocejar quando o outro boceja, sentir um calafrio quando vemos alguém em vídeo cair de uma altura considerável.

Em ordem de ser verdadeiramente empáticos teremos que sair de nós e dos nossos pensamentos e podemos praticar a empatia para melhor nos relacionarmos, observando outros, ser ouvinte ativo, dirigindo o nosso cérebro conscientemente para a pessoa que nos fala, entre outras.

Lembra-te que o “Eu” não sou o “Meu” comportamento e quando recebemos alguma critica ou feedback referente ao nosso trabalho ou à nossa prestação, é o Nosso comportamento que está a ser avaliado e criticado e não o Nosso “Eu”. Conseguindo fazer esta distinção colocas-te no grupo de pessoas com uma boa auto estima.

A incapacidade de criar empatia pode provocar rótulos, isolamento, problemas, inimigos…

E lembra-te, a empatia treina-se!

 

Até breve

Luís Barbudo