Como podemos ser tão egoístas e egocêntricos?

E mais grave, como podemos sê-lo e não nos apercebermos? Sê-lo inconscientemente?

Naturalmente se pergunto a alguém: É egoísta? A resposta muito provavelmente será negativa.

Mas porque pergunto isto? Olho ao meu redor e observo as pessoas e os comportamentos.

Por exemplo, na passada semana tivemos a visita do Papa Francisco em Fátima. Uma enchente de crentes e religiosos. Diz-se que foi mais de meio milhão de peregrinos e curiosos. Juntos, rezaram e “prometeram” tolerância e amar o próximo… sim, Amar o próximo! Dar em vez de receber, ouvir em vez de falar, respeitar em vez de insultar, compreender em vez de culpar.

E o que se vê após a despedida do Papa? Filas, desagrado, insultos. As horas de espera para sair tornam-se num stress. Não faz mal esperar dias para ver o Papa mas na hora do recolher vamos a acelerar. Num curto espaço de tempo após a reza da manhã, as “promessas” caem em esquecimento e a pressa de receber, falar, insultar, culpar, invade a mente pobre do peregrino.

Vivemos numa cultura do: “O que há para mim?” quando a verdadeira pergunta deveria ser: “Como posso ajudar?”.

individualismo

Oferecermos os nossos serviços, o nosso curriculum, o nosso tempo, as nossas qualidades e o nosso sorriso ao outro, ao nosso próximo, ao nosso amigo, familiar, colega, parceiro, deveria de ser a nossa essência. Somos crentes quando nos convém, temos fé quando precisamos, pedimos antes de dar. Pois digo que o segredo de uma vida boa, repleta e preenchida é precisamente o contrário: É dar, ouvir, respeitar, compreender, AMAR!

Neste campo do dar e receber tenho que admitir que somos verdadeiros animais. Primeiro EU e depois o outro, primeiro as minhas necessidades e depois as do outro. O nosso instinto de saciar a nossa “fome” é mais forte e naturalmente quando a “comida” acaba sobra a critica, censura, inveja…

Não basta pôr a mão na consciência, há que TER consciência!! De dar, ouvir, respeitar, compreender, amar, SEMPRE! Todos os dias, fins de semana e feriados inclusive e não só quando o Papa vem a Fátima.

Vamos agir em vez de reagir, vamos dar sem esperar nada em troca, vamos ouvir sem esperar responder, vamos respeitar sem esperar aprovação, vamos compreender sem esperar ter razão, vamos amar sem esperar presentes, vamos ser melhor sem esperar concorrer!

Sejamos conscientes no que fazemos e dizemos.

Até breve!!

Luis Barbudo